Tijolos ecológicos: bons e corretos

Vai construir? Então considere a possibilidade de optar por tijolos ecológicos. Esses blocos modulares, compostos de areia, resíduos de construção e passivos ambientais, são bonitos, fáceis de manusear e representam uma economia no custo total da obra de 30 a 60% em relação ao sistema construtivo tradicional. Pelo menos, isso é o que garantem fabricantes e engenheiros.  Fato é que o material é bom para o meio ambiente, pois o processo de produção não necessita de fornos, eliminando a utilização de lenha e a derrubada de cerca de dez árvores para a fabricação de mil tijolos. Sem lenha também não há fumaça e, por consequência, a emissão de gases de efeito estufa.

O gerente de projetos Ruston Albuquerque encantou-se pelo material há 15 anos, quando seu pai, Ernesto Albuquerque, decidiu construir uma casa que se diferenciasse pela adoção de técnicas de construção sustentável, como a captação e armazenamento de águas de chuvas, utilização de madeira certificada e, claro, o emprego dos tijolos ecológicos.  Diante da falta de informação e de alternativas sustentáveis em materiais de construção, à época, a solução encontrada foi a produção caseira dos insumos e materiais sustentáveis na própria obra. Pai e filho arregaçaram as mangas e aventuraram-se na fabricação artesanal dos tijolos ecológicos. Em apenas quatro meses, a casa, no litoral fluminense, ficou pronta. “Do jeitinho que a gente sonhava, com os tijolos aparentes, uma grande área de jardim e até um elevador panorâmico”, descreve.

De lá pra cá, Ruston trabalhou em outros projetos, mas nunca abandonou a ideia de ter a sua própria empresa de tijolos ecológicos. Sonho que, agora, está sendo possível realizar em parceria com a publicitária Ethel Kacowicz. Há pouco mais de quatro meses, eles fundaram a Terramax Tijolos Ecológicos com uma produção inicial de cerca de 40 mil peças por mês. O que não é pouco para um negócio que está começando, mas ainda é insuficiente para atender a demanda das grandes construtoras. Mas o empresário garante já estar ampliando essa capacidade, por meio de novas parcerias. No entanto, o foco no momento é formar público e mostrar porque optar por esse tipo de tijolo é, realmente, uma opção mais inteligente e econômica. Na última edição da Casa Cor BH, a produção da empresa esteve presente em dois cenários: o Eco Jardim da paisagista Nãna Guimarães e o Deck Bar dos arquitetos Cristina Morethson e Ângelo Coelho.

Casa Cor 2013: Albuquerque e a paisagista Nãna Guimarães que compuseram o cenário Eco Jardim - Foto: Fernanda Mann


Como é feito

Para ficarem prontos para o consumidor final, os blocos modulares precisam ser “curados”. No início do processo, uma máquina trabalha o solo, que deve ter baixo teor de argila e material orgânico. O montante é triturado e peneirado para receber areia, cal e cimento nas proporções ideais. O composto, então, vai para um homogeneizador e depois para outra máquina onde é prensado. Já no formato de bloco, os tijolos são “curados”. Assim, o material é coberto por uma lona e “descansa” por aproximadamente de 12 a 18 horas. Aí precisa ser reidratado e novamente “curado” por, no mínimo, mais oito dias com umidade controlada.

“Parece complicado, mas não é”, garante Ruston. E por que é chamado de “ecológico”? Por não usar barro vermelho, ele evita a degradação do meio ambiente causada pela exploração de jazidas de argila. Também não necessita de fornos ou de outros meios de queima em seu processo. Estima-se que, para cada mil tijolos ecológicos, de sete a doze árvores sejam poupadas, eliminando a emissão de gases poluentes na atmosfera. Outra vantagem é que, por utilizar uma técnica construtiva moderna, reduz drasticamente o desperdício de recursos e a geração de resíduos. “Podemos dizer ainda que a técnica de aplicação facilita a inclusão de novos profissionais no mercado de trabalho, criando oportunidades de geração de trabalho e renda”, lembra Ruston.

Outra vantagem apontada pelo empresário é que os blocos são estruturais, o que os habilita a receberem cargas com segurança. Ao mesmo tempo, grautes de cimento embutidos nos tijolos reduzem o uso de concreto e ferragens. Isso faz com que o peso seja distribuído pela edificação de maneira mais equilibrada, conferindo mais estabilidade e segurança à obra. Ruston admite que a unidade do tijolo ecológico é mais cara que a convencional. Enquanto o primeiro sai ao consumidor por cerca de R$ 0,90, o tradicional custa R$ 0,75. Mas ele assegura que essa diferença é compensada com folga, já que os blocos modulares, também chamados de “solo-cimento” dispensam a utilização de argamassas para assentamento, revestimentos de efeitos cosméticos como reboco para regularização e acabamento de paredes, além de acelerarem a obra com seus encaixes que facilitam o alinhamento e o prumo das paredes. “Todas essas características tornam o processo construtivo mais econômico, em especial com a redução significativa de materiais caros como o cimento, areia e brita, madeira, ferragens, mão de obra e tempo de construção”, explica Ruston.


Aposte no material porque:

Os furos propiciam o encaixe perfeito entre as peças, autoalinhando os tijolos, facilitando a estruturação da obra e as instalações elétricas e hidráulicas, e melhorando o desempenho térmico e acústico das paredes.

Diminui o tempo de construção em 50% em relação à alvenaria convencional, devido aos encaixes que favorecem o alinhamento e prumo da parede;

Estrutura - As colunas são embutidas em seus furos, distribuindo melhor o peso sobre as paredes;

Redução de uso de madeiras nas caixarias dos pilares e vigas;

Economia de 70% do concreto;

Não necessita de argamassa de assentamento entre os tijolos;

Economia de 50% de ferro;

Durabilidade maior do que o tijolo comum;

Alivia o peso sobre a fundação evitando gastos com  estacas mais profundas e sapatas maiores;

Fácil acabamento. Os tijolos ecológicos necessitam apenas de um impermeabilizante à base de silicone ou acrílico, e um rejunte flexível;

O assentamento de azulejos é direto sobre os tijolos;

Obra mais limpa e sem entulhos;

Como o tijolo ecológico possui apenas dois furos, as paredes formam um isolamento acústico, diminuindo os ruídos externos;

Isolamento térmico – Os furos dos tijolos formam câmaras térmicas evitando que o calor externo penetre no interior da residência;

No inverno, acontece o contrário, pois a temperatura da casa fica mais quente do que a externa;

Os furos também propiciam a evaporação do ar, evitando a formação de umidade nas paredes e interior da construção.


Fique por dentro:

Por que é ecológico?

Por não usar o barro vermelho, evita a degradação do meio ambiente causada pela exploração de jazidas de argila;

Por permitir o uso de resíduos e passivos ambientais resultantes de atividades variadas em sua composição (transformando passivos ambientais em ativos econômicos);

Por se valer de uma técnica construtiva moderna e eficiente, reduz drasticamente o desperdício de recursos e a geração de resíduos;

Por não necessitar de fornos ou outros meios de queima. Estima-se que, para cada mil tijolos ecológicos fabricados, de sete a doze árvores sejam poupadas, o que reduz o desmatamento e a emissão de gases poluentes na atmosfera;

Por exigir menor grau de especialização, a técnica construtiva facilita a inclusão de novos profissionais no mercado de trabalho, criando oportunidades de geração de renda para cidadãos com perfil de baixa empregabilidade.

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